Alegoria da caverna e reflexão pessoal




Agora, não venha me dizer que os prisioneiros não tinham todas a razão em assasinar seu ex-companheiro de caverna dizendo que ele é um louco.
Ou que ele é um profeta vadio, ou um sonhador platonista.
É isso que aconteceu com chico mendes e que vai acontecer com você, meu caro, se continuar meditando.

Não ria não. É sério.

Se tudo pode acontecer

"Se tudo pode acontecer"


Se tudo pode acontecer, deus não existe.
Se tudo pode acontecer, eu não me livro
e suprimo em mim qualquer certeza.
se tudo pode acontecer, a firmeza eu conquisto
e me visto de tristeza em dias primos
se tudo pode acontecer, eu grito
angst
eu grito
na ponte eu grito.

só nos resta o infinito.

DESTINAÇÕES

tava lendo o delicioso herman hesse's JOGO DAS CONTAs DE VIDRO, e tava em um capítulo chamado ANOS DE ESTUDO, em que o protagonista, já com vinte e quatro anos, se dedica especificamente aos estudo seu interesse, depois de quase vinte anos de estudo direcionados dentro da rigorosa ordem filosófica-acadêmica de castália.
patra resumir, castália é o nome de uma ordem, entidade ou universidade que capta os melhores alunos desde novos, e os que tem o melhor perfil, e dirigem suas dedicações ao estudo, somente ao estudo. Eles não se casam, eles não escrevem poesias, e eles não tenm direito a posses, senão a poucas coisas de valor sentimental - um retrato, um relógio, uma carta postal - e em troca eles tem toda uma vida dedicada à virtude do espírito, como se diz, estudos e dedicações puras àquilo que eles amam, protegidos da mesquinharia e svis sutilezas do mundo secular.
o protagonista do livro, joseph knecht, é o melhor dos melhores. O altíssimo, se preferir, o garoto que desde os oito anos esta dentro desta ordem, acompanhado de perto por pessoas especiais. Ele não só é puro de coração, é uma virtude na música e temperado nas emoções. mesmo suas poucas incogruências ao longo da vida, e especialmente na adolescência, serviram-lhe apenas para avançar mais ainda naquilo que ele tinha, por necessidade, vir a ser.
aí vem uma pergunta, se destino existe. se ele existe, então indiferentemente de nossos atos, estamos destinados a vir a ser aquilo que nos é cabido. oa mesmo tempo, sabemos que nunca poderíamos ficar sem fazer nada, e sempre haverá a incerteza. Alguns preferem o alcançe calmo da sabedoria que dá a certeza de nosso caminho, e cada obstáculo esta ali porque haveria de estar, e outro preferem ser como um estrangeiro, que se deixa levar pelo vento e pela capacidade de adptação ao momento.
às vezes é nascente uma melancolia que diz que a gente podia ser assim , ou assado, mas não somos. temos às vezes, dentro da gente toda a potencia para ser aquilo que desejariamos, mas falta algo, sempre falta, e às vezes, parece que este algo é inatingível, inalcançãvel... aí vem aquele poema tabacaria do pessoa que diz que o mundo não é para aqules que podem conquista-lo, e sim para os que nascetram para o conquistar. como se eu ou você tivessemos o amor para renascer o mundo, mas só uns pouco estão no lugar e momento certo para fazê-los. sejamos então sacrificados na nossa cruz cotidiana, sobre o sol de cada dia nos dai hoje. Sejam,os nós o jesus moderno de cada mercado, de cada feira, de cada fila de biblioteca. Tenhamos o amor decadente nascendo e morrendo todos os dias, para se derramar como suco de uva no asfalto quente - e as pessoas passam, não cheiram com nojo e pensam que é sangue.
joseph knecht não pôde fugir ao destino. Ainda no meio do livro, ele percebe que sua responsabilidade é maior que sua liberdade, e que tem peso e importancia sua existencia naquele lugar e naquele momento. como uma veste que amava mas que não pode mais vestir, ele deixa aos poucos para trás a maneira vivaz e jovem de encarar a vida, e se encaminha para sua própria cruz. Austero, ansioso, ciente.

paz, caridade e outras coisas animadoras

O maior exercício que se pode fazer é ser bonzinho. E a maior arrogância e soberba, é na maioria das vezes, o motor que move este ascetiismo - ascetismo significa exercício;
Jesus poderia ser um grandessíssimo arrogante por perdoar ato de homens que ele não, perdoaria se fosse ele que houvera feito. Contraditório mesmo. O amor é contraditório? Não. As pessoas o são, com todas suas vontades, desejos e racionalizações.
Se jesus varresse da terra os homens que lhe fizeram mal ao invés de dar a outra face, quiçá, os apagasse a memória, estaria sendo coerente com os homens que lhe fizeram mal, pagando na mesma estaleta.
E deve ser isso mesmo, afinal o início da contradição, colocar homens na mesma linha horizontal que nos é inicialmente dado a pensar. Não, eles não são do mesmo nível, e pensar isso é que gera a confusão. Dentro da estrutura, hyper-estrutura do mundo vivo, jesus era não um asceta, ele não se esforçava apenas, ele não tinha aquela vontade comum dos sâmanas - leia sidarta do herman hesse - de subtrair-se e superar-se. Ao contrário man, Jesus queria apenas horizontalizar-se, e estar entre eles comoeles, amando-os em mais pura face a face... mas não. Jesus não tinha escappatória Nunca teria, ingênuo de uma figa.

Existem homens que nascem para serem crucificados.

asterisco sobre o texto anterior

É provável que se pudéssemos, mataríamos a troco de nada, senão algum alívio. é muito provável que isso seja congênere, e que a notícias não mentem tanto afinal, apenas escolhem aquilo que irão mostrar. Se as agências de noticiário são um filtro, nós também somos, e cada imagem e cada estória ficará marcada indelevelmente em nossa memória moral, garantindo que aquilo nunca deveríamos fazer. Não para evitar, mas apenas para nois sentirmos culpados quando isso finalmente acontecer. Alguém aqui já leu aquela do dostoievsky sobre o assasínio? E como ele, palavras de um amigo, traça um belo mparalelo entre o homicida e o santo, o primeiro andando ao largo da condição humana, e o segundo sendo a condição humana em sua maior profundidade?


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Now playing: Serge Gainsbourg - En Melody
via FoxyTunes

O altruismo.

É interessante como a maioria de nós brasileiros, crescemos naquela tal lei de gerson, naquele pensamento de levar vantagem em tudo, não importa se precisar passar por cima de alguém, aquele egoismo, egocentrismo ganho graças ao antropocentrismo da religião mais inlfluente de nosso país. Mas depois de um periodo de exageros, pensando aquele ser realmente o melhor jeito de se aproveitar a vida, percebi a relevancia de ajudar aos outros, percebi que se for pra aproveitar a vida, que seja ajudando aos outros, pois melhor que ajudar apenas uma pessoa, no caso nós, é ajudar inúmeras, sem pedir nada em troca, pois já deixaria de ser altruismo e seria trabalho, e o trabalho é algo egocentrista pois pensamos primeiro no que eu ganho com isso, não no que o próximo ganha, ou os próximos, subiriamos o número de ajudados de um para infinitos, definido apenas pela finitude de nossas vidas, o Bodhisattva, a renuncia do eu para o bem do outrem. O amor ágape, o amor espiritual é na verdade esse altruismo. Na verdade é a aplicação do amor para todos, para o todo. Se definirmos amor, algo dificil de definir, mas se tentassemos, poderiamos chegar a dois significados, a consideração, pois consideramos alguém como um todo, não em partes, e a generosidade, quando amamos alguém, somos generoso para com o outro. Então, o altruismo, nada mais é que amar, e já que uma das definições de Deus é amor, nada mais divino que ser altruista, que amar a todos e o todo.

Á G A P E

Ágape, é amor, segundo se diz. Platão crê que seja o amor de casal desposado, amor de um ao outro. Isso em contraste com o amor eros, amor de conotação sexual, ou ao amor philos, que seria o amor ideal. Hoje nos contentamos com amor amor, aquele que embala as músicas de rádio, as cenas de novela, e o sonhos dos adolescentes.
Outra corrente, cristã, afirma uma interpretação mais interessante de Ágape, baseada em textos apócrifos e sudaristas, onde amor seria simplesmente Amor. Seria o inefável, o não-dito, o esvaziamente e completude, o místico. Dizer pelo não dizer, sentimento de unicidade, de ligação a tudo, e de parte deste tudo, onde o nada seria exatamente tudo. Os espaços entre os raios da roda, o recipiente do jarro, o silêncio de tudo que se equivale.
O vago se faz necessário, aquilo que não se pode dizer, deve-se calar. Ágape é um tentativa de dizer o indizível, e nisto, em sua contradição suprema, nasce a condição humana, e nasce o sonho: nos espaços & silêncios entre nossas palavras, vaga bruxuleante o sentido exato do que não pode ser dito.

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